Há uma ideia simples que se tornou quase proibido afirmar: Portugal tem o direito de continuar a ser Portugal.

Durante demasiado tempo, os portugueses foram ensinados a olhar para a sua própria nação com desconfiança. Falar de identidade passou a ser confundido com intolerância. Defender a soberania tornou-se sinónimo de isolamento. Questionar a imigração em massa passou a ser tratado como uma afronta moral. E exigir que o interesse nacional prevaleça sobre interesses externos tornou-se, para muitos, uma posição politicamente inconveniente.

Mas uma nação não sobrevive da conveniência dos seus governantes. Sobrevive da consciência do seu povo.

Portugal não é apenas o território delimitado pelas suas fronteiras. Não é uma administração encarregada de gerir impostos, serviços públicos e fundos europeus. Portugal é uma comunidade histórica, construída ao longo de quase nove séculos por sucessivas gerações de portugueses. É uma língua, uma cultura, uma memória coletiva e uma forma particular de estar no mundo.

Essa herança não nos pertence exclusivamente. Recebemo-la daqueles que vieram antes de nós e temos o dever de a transmitir aos que virão depois.

É precisamente esse dever que hoje está em causa.

Portugal atravessa uma crise que não é apenas económica, institucional ou social. É também uma crise de continuidade. Perdemos soberania, capacidade produtiva e independência estratégica. Expulsamos os nossos jovens através dos baixos salários, da precariedade e da impossibilidade de constituírem família. Abandonámos o interior, enfraquecemos os serviços públicos e habituámo-nos a depender de decisões tomadas fora do país.

Ao mesmo tempo, promovemos uma transformação demográfica profunda, sem debate sério, sem consulta popular e sem qualquer preocupação real com as suas consequências a longo prazo.

A imigração em massa é frequentemente apresentada como uma inevitabilidade ou como a única resposta possível para o envelhecimento da população e para a falta de trabalhadores. Não é. É uma escolha política. E, como qualquer escolha política, deve poder ser discutida, contestada e substituída.

Um país que não cria condições para que os seus próprios filhos permaneçam, trabalhem e constituam família, mas procura compensar essa ausência através da importação permanente de população, não está a resolver a sua crise demográfica. Está a substituir o povo em vez de garantir a sua continuidade.

Dizer isto não é manifestar hostilidade contra pessoas individualmente consideradas. É recusar uma política de Estado que transforma Portugal sem o consentimento dos portugueses. O problema não reside na existência de quem procura uma vida melhor. Reside em governos que utilizam a imigração como instrumento para manter baixos salários, adiar reformas estruturais e alimentar um modelo económico assente em mão de obra barata.

Uma política migratória responsável deve começar por uma pergunta elementar: serve os interesses de Portugal e dos portugueses?

Se a resposta for negativa, essa política deve mudar.

Portugal precisa de recuperar o controlo efetivo das suas fronteiras, reduzir drasticamente os fluxos migratórios e aplicar uma política de repatriamento para quem permanece no país sem fundamento legal, viola gravemente as nossas leis ou não reúne as condições estabelecidas pelo Estado português. Tudo isto deve ser executado com autoridade, segurança jurídica e respeito pela dignidade humana — mas sem transformar a exceção humanitária numa renúncia permanente à soberania nacional.

Nenhuma nação está moralmente obrigada a aceitar a sua própria transformação demográfica. Nenhum povo tem o dever de se tornar minoritário no país que herdou dos seus antepassados. E nenhuma elite política possui legitimidade para tomar uma decisão histórica dessa dimensão sem ouvir os cidadãos que sofrerão as suas consequências.

A soberania é, por isso, inseparável da questão demográfica. Mas não se limita a ela.

Ser soberano significa poder decidir quem entra e quem permanece no território nacional. Significa controlar setores estratégicos, proteger a capacidade produtiva, garantir a segurança energética e alimentar e definir políticas económicas orientadas para a prosperidade dos portugueses. Significa negociar com a Europa sem submissão e cooperar com outros países sem abdicar da nossa liberdade política.

Portugal deve participar no mundo, mas não pode desaparecer dentro dele.

Não somos uma sucursal de Bruxelas, um mercado sem fronteiras ou uma plataforma económica disponível para qualquer interesse internacional. Somos uma nação soberana. A cooperação europeia só é legítima enquanto respeitar a vontade, a identidade e os interesses fundamentais dos povos que a constituem.

O verdadeiro problema de Portugal não é a falta de recursos, de inteligência ou de capacidade. É a ausência de ambição nacional.

Há décadas que o país é governado por administrações de curto prazo, preocupadas com a próxima eleição, o próximo orçamento e a próxima distribuição de fundos. Falta um projeto pensado para vinte, trinta ou cinquenta anos. Um projeto que faça regressar os portugueses que emigraram, que permita aos jovens construir família, que valorize o trabalho, que recupere a economia produtiva e que devolva ao país a confiança no seu próprio futuro.

Recusamos a ideia de que Portugal esteja condenado a ser pobre, periférico, envelhecido e dependente. Recusamos administrar a decadência como se ela fosse inevitável. Recusamos escolher apenas a velocidade a que o país perde a sua soberania, a sua população e a sua relevância.

O nosso nacionalismo não nasce da nostalgia. Nasce da ambição.

Não queremos regressar ao passado. Queremos construir um futuro digno da história que recebemos. Um país moderno, tecnologicamente avançado, economicamente próspero e politicamente livre. Um país capaz de proteger os seus cidadãos, valorizar as suas famílias e transmitir às próximas gerações uma identidade viva, e não apenas uma recordação exposta em museus.

Cada geração recebe Portugal por empréstimo. A nossa será julgada por aquilo que decidir preservar, reconstruir e transmitir.

Podemos continuar a aceitar o declínio, convencendo-nos de que nada pode ser feito. Ou podemos recuperar a soberania, reconstruir a confiança nacional e voltar a pensar Portugal em grande.

Nós escolhemos a segunda possibilidade.

Porque Portugal não é uma realidade provisória. Não é uma abstração administrativa nem um espaço disponível para ser transformado por decisões alheias à vontade do seu povo.

Portugal é a nossa casa histórica.

E tem o direito de continuar a ser Portugal.